segunda-feira, 19 de julho de 2010

CHACINA DE MÃE LUIZA - NATAL


No dia cinco de março de 1995, no bairro popular de Mãe Luiza, em Natal (Rio Grande do Norte, região nordeste do Brasil), foram assassinados friamente, por uma pessoa que se identificou como Policial, Roberto Nascimento Ferreira e Lucimar Alves da Silva Souza, esta grávida de três meses. Foram feridos gravemente Maria Lúcia da Costa, Marlon Silva Costa, Ana Carla Melo da Costa e Magaly Helena Pinheiro do Nascimento, sendo que alguns destes sobreviventes encontram-se ainda com balas alojadas no corpo. Uma das sobreviventes da chacina reconheceu o Policial civil Jorge Luiz Fernandes, conhecido popularmente pela alcunha de Jorge Abafador, como o responsável pelos disparos criminosos.
A Chacina de Mãe Luiza, como ficou conhecido o triste episódio, no entanto, foi apenas a ponta de um iceberg, pois trouxe a tona diversas denúncias de outros crimes semelhantes, sempre relacionados à extorsão Policial nas regiões mais pobres e afastadas da cidade - envolvendo, além de Jorge Abafador, outros Policiais civis sob o comando do próprio Secretário-Adjunto de Segurança Pública, Delegado Maurílio Pinto de Medeiros. Ao todo, são mais de 50 (cinquenta mortes) imputadas a este grupo de extermínio - além de inúmeras denúncias de arbitrariedades.

CHACINA DE GILSON NOGUEIRA

Gilson Nogueira foi brutalmente chacinado na entrada de sua residência, na madrugada do dia 20 de outubro de 1996, aproximadamente às 12:20, no município de Macaíba, região metropolitana de Natal, Rio Grande do Norte, por 03 (três) homens, que detonaram cerca de 17 (dezessete) tiros de fuzil, dos quais 03 (três) o atingiram, sendo um fatal, na região da cabeça da vítima. Segundo a testemunha que o acompanhava, M.V., adolescente com 17 anos de idade, os três assassinos o aguardavam em um automovel Gol, de cor vermelha. Inicialmente, o ofuscaram com luz alta. Quando, numa tentativa desesperada de fuga, o advogado Gilson Nogueira engatou a marcha-ré do seu carro, foi mortalmente atingido na fronte esquerda por um dos varios tiros disparados em sua direção. Nogueira era advogado de diversas vítimas de violência Policial (principalmente da Chacina de Mãe Luiza) e assistente do Ministérior Público nos processos que apontam a existência de um grupo de extermínio no interior da Polícia Civil do Estado do RN, comandado pelo então Secretário-Adjunto da Secretaria de Segurança Pública.
Gilson Nogueira tinha apenas 32 anos, mas sua morte, não obstante tenha chocado a todos pela violência com que foi perpetrada, não se constituiu propriamente em nenhuma surpresa. Todos os que o conheciam sabiam que ele seria assassinado. Ele próprio sabia que teria morte violenta. Todas as autoridades - estaduais e federais - que vieram a ter conhecimento da sua atuação como advogado das familias das vitimas dos "Policiais Meninos de Ouro" tinham consciência da sua morte tão anunciada. Eram tão graves as ameaças que sofria, que chegou a contar, juntamente com Luiz Gonzaga Dantas, também do CDHMP, com segurança promovida por Policiais federais, por um período de 09 (nove) meses. Entretanto, esta segurança foi abruptamente suspensa por ordem do Ministério da Justiça, sem maiores esclarecimentos, no mês de junho de 1996.

CHACINA DE SANTO ANTÔNIO DO POTENGI

No dia 5 de junho de1997, o pequeno lugarejo de aproximadamente 5.000 pessoas, Santo Antônio do Potengi, município de São Gonçalo do Amarante, perto de Natal, entrou para a historia como palco de um dos episódios mais sangrentos de assassinatos em massa no Brasil. Nos dias 21 e 22 do mês corrente, o ex-atirador do exército, Genildo Ferreira de França, matou 14 pessoas em menos de 24 horas. Sangue do Barro conta o dia em que Santo Antônio e todo o Rio Grande do Norte parou diante da televisão. O documentário não mostra uma resposta única para a mudança de atitude de Genildo, que até então era visto por todos como um cidadão normal e pacífico. Nos 52 minutos do filme é apresentado um panorama do “matador”, os dias da chacina e o seu resultado. Sangue do Barro trabalha com uma visão crítica através de depoimentos de populares, vítimas, policiais e da imprensa, incentivando o público a criar a sua própria versão dos fatos.
Nessa chacina foi vítima o sargento PM FRANCISCO DE ASSIS BEZERRA,natural de Natal, nascido a 15 de janeiro de 1959, filho de AMÂNCIO BEZERRA e de FRANCISCA MARIA BEZERRA. de minha turma de Sargento PM, formada no CFAP, em Natal, em 1987

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CHACINA DE URUAÇU

Três meses depois aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, e sempre pelas mãos dos calvinistas holandeses. Entre elas estava o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Isso aconteceu na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante (a 18 km de Natal), no mês de setembro de 1645.
Contam os cronistas que as notícias dos graves e dolorosos acontecimentos de Cunhaú se espalharam rapidamente por toda a capitania do Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. A população ficou assustada e temia novos ataques dos tapuias e potiguares, instigados pelos holandeses.
Também desta vez tudo aconteceu sob o comando de Rabe, ajudado pelo chefe potiguar Antônio Paraopaba.
Os índios já tinham sido avisados das intenções dos dois e lá estava o chefe potiguar com os seus comandados: mais de duzentos índios, bem armados.
Logo que desceram dos batéis, os flamengos ordenaram aos moradores que se despissem e se ajoelhassem. A um sinal dado por eles, os índios, que estavam emboscados, saíram dos matos e cercaram os indefesos colonos.
Teve início, então, a terrível carnificina, descrita com impressionante realismo pelos cronistas portugueses. Nas descrições, nota-se o contraste entre a crueldade dos algozes e a resignação e o perdão das vítimas:
"Começaram a dar tão desumanos e atrozes tormentos aos homens que já muitos dos que padeciam tomavam por mercê a morte. Mas os holandeses usaram da última crueldade entregando-os aos tapuias e potiguares, que ainda vivos os foram fazendo em pedaços, e nos corpos fizeram anatomias incríveis, arrancando a uns os olhos, tirando a outros as línguas e cortando as partes verendas e metendo-lhas nas bocas..." (Santiago).
A descrição da morte de Mateus Moreira é o ponto mais expressivo de toda a narrativa de Uruaçu e constitui um dos mais belos testemunhos de fé na Eucaristia, confessada na hora do martírio.
"Os algozes arrancaram-lhe o coração pelas costas, e ele morreu exclamando: 'Louvado Seja o Santíssimo Sacramento."

CHACINA DE CUNHAÚ

A chacina de Cunhaú

O movimento de insurreição contra o domínio holandês já começara em Pernambuco, mas, na capitania do Rio Grande do Norte, tudo parecia normal. Bastou, porém, a presença de uma só pessoa para que o clima se tornasse tenso: Jacó Rabe, um alemão a serviço dos holandeses. Ele chegara a Cunhaú no dia 15 de julho de 1645.
Rabe era um personagem por demais conhecido dos moradores de Cunhaú. Suas passagens por aquelas paragens eram freqüentes, sempre acompanhado dos ferozes tapuias, semeando por toda parte ódio e destruição. A simples presença de Rabe e dos tapuias era motivo para suspeitas e temores.
"Além dos tapuias, Jacó Rabe trazia, desta vez, alguns potiguares e soldados holandeses. Ele dizia-se portador de uma mensagem do Supremo Conselho Holandês, do Recife, aos moradores de Cunhaú.
No dia 16 de julho, Domingo, um grande número de colonos estava na igreja, para a missa dominical celebrada pelo Pároco, Pe. André de Soveral. Jacó Rabe mandara afixar nas portas da igreja um edital, convocando a todos para ouvirem as Ordens do Supremo Conselho, que seriam dadas após a missa.
Como havia um certo receio pela presença de Jacó Rabe, alguns preferiram ficar esperando na casa de engenho.
Chegou a hora da missa. Os fiéis, em grupos de familiares ou de amigos, dirigiram-se à igrejinha de Nossa Senhora das Candeias. Levados apenas por cumprir o preceito religioso, os fiéis não portavam armas, mas só alguns bastões que encostaram nas paredes do pórtico.
O Pe. André inicia a celebração. Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor, para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da Igreja e se deu início à terrível carnificina.
Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelo flamengos com a ajuda dos tapuias e potiguares.
Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, 'entre mortais ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo, pedindo-lhe, com grande contrição, perdão de suas culpas", enquanto o Pe. André estava 'exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia" (Verdonk).

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